Começa com uma lembrança,
seguida de um nó na garganta.
A melancolia toma conta,
a vibração muda.
A respiração perde o ritmo,
surge um aperto no peito.
O pranto, prometido como alívio,
é contido com muito esforço.
Dói.
E a dor não é física, nasce de dentro,
já não faz mais sentido contê-la.
A dor atinge o ápice,
se desfaz em líquido
e é rejeitada pelo corpo.
Saudade, culpa.
Vontade impossível de voltar no tempo.
Um turbilhão de pensamentos desordenados
sem duração aparente,
sem trégua.
Aos poucos vem o alívio temporário.
Conformismo imposto pela razão
e pela resignação,
velhos conhecidos.
A dor se dissipa como uma névoa.
É preciso seguir,
voltar a viver,
como se estivesse tudo bem.